Adeus, Ronaldo

Isso nem é uma nota de um corinthiano. Antes, é de comparação entre culturas.

O golfista Tiger Woods rejeitou uma proposta de contrato de US$ 75 milhões, agora, depois do rumoroso caso de infidelidade conjugal em que se meteu.

Nota oficial dá conta que Tiger Woods é um multibilionário e no momento não se interessa em voltar aos holofotes. Ele quer reconstruir-se emocionalmente, treinar e deixar sua volta (se voltar…) para um futuro incerto.

Afinal, afirmou seu porta-voz: “O negócio de Tiger é o golfe”. Ou seja, ele prefere ganhar seu dinheiro jogando, em atividade.

O dinheiro é consequência de seu talento em campo, ele não quer faturar em cima de um nome já feito, apenas.

Por outro lado, o Ronaldo Fenômeno igualmente multibilionário faz tempo, trabalha incansavelvemente apenas sua imagem, a sua visibilidade para valorização ante os patrocinadores.

Futebol mesmo que é bom, porra nenhuma até agora nesse 2010. E o cara ainda tem a pachorra de pensar em Copa da África, obviamente, apenas como reforço de imagem.

De sujeito certinho que foi, o bastante para chegar a ser embaixador de alguma coisa na ONU, agora ele cumprirá a missão de votar no anjo do BBB10, vejam vocês.

E gordo, pois que sua presença em campo só mesmo como manutenção da imagem. Ronaldo, sua fama, é agora apenas o outdoor necessário para anunciantes.

Claro, a Globo cuida bem de mencionar seu nome zilhões de vezes. É a parte do esforço da emissora na imagem do (diz que agora é…) corinthiano.

Bem comparando, Ronaldo está para a Globo quase assim como a Bíblia está para Edir Macedo como matéria-prima para seu faturamento.

Putanheiro como o Tiger Woods, Ronaldo também é. Mas aqui no Brasil, sem problemas com isso.

Mas que jogasse bola, ô saco!

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Tensão na fronteira

Eis que certo dia, a comandante em chefe do território no qual me encontro descobre frondosas ramas de maracujá a subir pelo muro.

Por aqui é assim, terra roxa é assim. Basta um pássaro cagar uma semente que ela germina por qualquer fresta do calçamento. E o pé de maracujá ganhando viço, flores e… e os frutos?

Os frutos, notificou-me um dia a comandante em chefe do território fronteiriço:

- Viu que é maracujá esse pé? E está lotado de frutos por aqui. De seu lado também?

- Não, por aqui nadica de nada. Só as ramas. As ponteiras passaram para seu lado.

E ela terminou:

- Sem problemas. Quando amadurecerem nós repartimos.

A comandante em chefe do território cá de meu lado – ciosa que é com suas plantas, seus cães e até um peixinho de aquário enquanto viveu – cuidou de uns poucos frutos que cá apareceram e roçavam o chão.

Enquanto acomodava esses parcos frutos num estrado improvisando um tanquinho que ia para o lixo, comentou:

- Pé de maracujá é assim mesmo, é mulher de corno. Vive de um lado do muro e dá no vizinho.

Foi quando a notifiquei da disposição do “inimigo”:

- A vizinha garantiu sob penhora de sua palavra que repartiria o que colhesse depois.

Ela não comentou. Como são reinos de paz selada acredito no pontual acordo diplomático.

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Centenário de Tancredo Neves

Tancredo Neves foi eleito presidente do Brasil contra Paulo Maluf no famigerado colégio eleitoral das eleições indiretas de então.

E teorias conspiratórias à parte, Tancredo morreu por doença antes de assumir. E  com isso seu vice José Sarney solidificou-se na sarna atual.

O conciliador Tancredo Neves foi fundamental naquele momento de transição na política brasileira. Faz jus ao que a História lhe dedica.

O político mineiro é o expoente da política mineira, se é que me faço entender. E vou contar uma história de sua sagacidade que agora lembrei.

Sabem isso que fazem as celebridades e seus derivativos para aparecer na imprensa? Essas bobagens como pagar um peitinho na praia, passear com o cãozinho por um calcadão, pedalar e, com sorte, algumas coisas outras?

Pois é. E isso em políticos também é comum, mas usando de colunistas de jornais e revistas. E em tempos outros foi flagrante uma certa promiscuidade entre colunistas sociais e políticos.

Ibrahim Sued, uma espécie do atual Amaury Júnior, fez fortuna com isso. E olhem que por aqueles tempos a televisão não tinha essa força. Mais mesmo, eram revistas tipo O Cruzeiro ou Manchete e jornais.

Como hoje, político que se preze não deixa passar um acontecimento social de família sem que isso se torne uma efeméride política.

Bem, pelo menos, para ele.

O casamento de um filho/filha, por exemplo, sempre foi a cereja desse bolo. Neles, a lista de convidados reparte-se entre familiares/amigos e políticos interessantes.

E tudo isso como ensaio para que o colunista social amigo seja instado/cooptado/e$timulado a plantar aquela notinha em sua coluna:

“Festa de casamento blá, blá, blá… e anfitrião Doutor das Quantos é cogitado para ser o Secretário dos Transportes no futuro governo de Robando Suagrana e blá, blá, blá.”

E numa dessas, determinado interessado em garantir sua vaga num governo de Tancredo Neves no Estado de Minas Gerais, trabalhou bem com isso e teve seu nome “cogitado” por várias vezes na imprensa.

Vocês sabem né, como funciona essas coisas. Tem valor relativo o fato de ser companheiro de campanha eleitoral, ter ajudado ou até financiado alguma coisa. É preciso jeito para cavocar seu seu espaço no governo eleito.

Candidatos quando em campanhas são companheiros. Eleitos, são Sua Majestade. No poder, deuses.

Bem, vai daí que o correligionário em questão tem seu momento de privacidade com Tancredo Neves e se insinua:

- Doutor Tancredo, a imprensa já está a me perguntar demais que papel cumprirei em seu governo. O que digo a eles?

- Meu querido amigo e mais leal companheiro! Você é um grande companheiro e não pode passar pelo desmerecimento público de não ter sido lembrado. Isso não! Não fique mais constrangido com isso. Quando perguntarem, diga que eu o convidei mas você recusou.

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Dores do crescimento

Mala suerte do cacete para o Lula o cara que estava fazendo greve de fome em Cuba ter morrido. Ou antes, inexperiência do Itamaraty em bem conduzir o caso.

Acho que seria o caso de avisar o presidente: “Olha, em Cuba não é muito bom ir agora. Tem um cara lá que está nuns trocentos dias em greve de fome. Se morrer com o senhor por lá, vai fuder”.

E fudeu. A imprensa internacional já está censurando o fato do presidente Lula ter respondido evasivamente sobre o morto e sobre Direitos Humanos em Cuba.

E não poderia ser respondido de outra forma. Não há como admitir um chefe de estado sair a criticar um governo quando se encontra seu hóspede, oras.

E o Brasil também não cortará seus auxílios à ilha. Se perguntados sobre isso, a resposta clássica é que “não é punindo que se ajuda. Afinal, o auxílio é imprescindível para o povo cubano”.

Na verdade, Cuba é hoje fator de unidade latino-americana, por mais incrível que isso pareça. Cuba é o símbolo em torno do qual se unem os países cá do quintal dos USA contra a “elevação” a latrina.

Que o regime cubano é hediondo, isso é. Mas infelizmente é assim que funciona o xadrez internacional.

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